domingo, 22 de dezembro de 2013

Crise deixa pela primeira vez vagas por preencher em lar de idosos de Bragança

A Obra Social Padre Miguel, de Bragança, registou este ano vagas no lar de idosos por preencher, uma situação inédita numa região até agora conhecida pelas longas listas de espera para entrar nas instituições.



O presidente da Obra, Nuno Álvaro Vaz, adiantou hoje à Lusa que, pela primeira vez, até há poucos dias havia vagas por preencher, quando a situação habitual até aqui era haver "muita lista de espera".

A explicação que avança está na crise e nos cortes salariais que encolhem as reformas aos idosos, que adiam também a ida para os lares para poderem ajudar os filhos desempregados ou em dificuldades.

O presidente da instituição apontou o caso de um casal, em que cada um podia pagar 500 euros, e que estava prestes a entrar no lar quando telefonou a dizer que "não dava porque tinha que ajudar os filhos.

"Antigamente havia muita gente que corria para vir para os lares e que agora, dada a situação, tem que ajudar os filhos que ficaram em dificuldade", sublinhou, acrescentando que há também aqueles que pedem para baixar os preços.

A instituição tem já idosos a pagaram "190 euros por mês", segundo o responsável.

A Obra Social Padre Miguel dispõe de várias valências e no que respeita aos idosos além do lar convencional oferece também uma parte residencial em que quem pode adquire o direito vitalício a uma suite.

Também nesta zona, cujos proveitos servem para ajudar a parte social, se sentem as consequências dos cortes nos rendimentos, como afirmou o responsável, com alguns dos utentes a queixarem-se da redução nas pensões.

"A crise tocou a todos", vincou o presidente da Obra que nos últimos tempos tem sido obrigada a ajustar mensalidades com casos na creche a pagarem "20 ou 30 euros" ou no apoio domiciliário prestado por "10 ou 20 euros".

As consequências da crise refletem-se também nas contas da instituição que, segundo disse, "ainda não está com dificuldades financeiras", mas já não consegue obter "saldos como dantes, que permitiram investir no bem-estar dos utentes".

"Estamos a cortar as unhas até onde podemos, a evitar os desperdícios e a enfrentar esta crise horrorosa que se instalou no país", declarou.

O balanço foi feito à margem de mais uma almoço/ceia de natal que todos os anos é oferecido a carenciados da cidade de Bragança e no qual foram distribuídos cerca de 30 dos mais de 100 cabazes com produtos alimentares e roupas que a Obra vai fazer chegar a várias famílias.

Ao longo do ano, a instituição apoiou mais de mil famílias com bens alimentares e outros.

O número de pedidos aumentou, segundo o presidente, mas a Obra não pode ir "muito além do estipulado" até porque os donativos são cada vez menores.

Pessoas que "por exemplo davam 50 (250 euros) ou cem contos (500 euros), hoje dão cinco (25 euros) ou dez (50 euros)", concretizou.
 HFI // JGJ
 Lusa/fim

Fonte: Agência Lusa

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