sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Médicos recorrem a ensaio clínicos para acederem às melhores terapêuticas no combate ao Cancro do Pulmão

As novas terapêuticas têm contribuído para um aumento da esperança de vida dos doentes. Se há uns anos a sobrevida era diminuta rondando os 8 e 10 meses, hoje com alguns tratamentos de primeira linha é possível alcançar valores de sobrevida na ordem dos 14 / 15 meses.

O Cancro do Pulmão, a realidade portuguesa e as terapêuticas foram alguns dos temas abordados num dos painéis que compuseram o 13º Simpósio Nacional da A.P.F.H (Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares). Este foi um espaço de debate que contou com a colaboração de membros do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão que, apesar de apresentarem um panorama pouco animador no que se refere ao crescente número de novos casos, revelam que nos últimos anos tem-se assistido a um aumento da sobrevida dos doentes e a uma crescente qualidade de vida.

O cancro é a patologia que mais irá crescer nos próximos anos, sendo o cancro do pulmão o terceiro com maior taxa de incidência, depois do cancro da mama e da próstata. Em Portugal os dados apontam para uma taxa de incidência anual de 3500 novos casos por ano.

Segundo Bárbara Parente, Directora do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia ”são vários os estudos a demonstrar vantagens em terapêuticas de segunda linha e, mais recentemente, pontualmente em terapêuticas de terceira linha, que trouxeram benefícios na sobrevivência mas também na qualidade de vida dos doentes. Também o aparecimento de novos e excelentes fármacos de primeira linha têm contribuído para um aumento da esperança de vida dos doentes.

Se há uns anos a sobrevida era diminuta, rondando os 8 e 10 meses, hoje existem terapêuticas inovadoras que permitem alcançar valores de sobrevida que variam em torno dos 14 / 15 meses. No entanto, algumas destas terapêuticas ainda não estão totalmente acessíveis, uma vez que aguardam reembolso.

Neste momento os ensaios clínicos são uma das formas, além das Autorizações de Utilização Especial, que os médicos possuem para aceder a estas novas terapias de primeira linha que revelam ser a melhor opção para tratar alguns doentes.”

Para António Araújo, Oncologista do Instituto Português de Oncologia do Porto “o cancro neste momento está sub-financiado em Portugal e dizer-se que se gasta muito dinheiro para o tratamento dos doentes oncológicos é falso". Cabe aos médicos disponibilizar aos seus doentes as melhores terapêuticas, pelo que "não se justifica que se atrase a introdução de novos fármacos por factores meramente económicos.

A bem da transparência deveria haver um índice reconhecido por todos até onde a sociedade estaria disposta a gasta com os fármacos invodadores, de modo a haver equidade no tratamento dos nossos doentes. Equidade vertical, para que todos os doentes com uma determinada patologia dentro de um hospital tivessem acesso ao fármaco mais indicado. Equidade horizontal, para que um doente com uma determinada patologia tivesse acesso aos mesmos medicamentos independentemente da unidade de saúde em que esteja a ser tratado". Há que ultrapassar obstáculos para oferecer o melhor tratamento possível aos doentes o que para António Araújo é uma luta diária.

No simpósio que decorreu com o apoio da Lilly Portugal, o painel:”Cancro do Pulmão – O que há de novo?”, procurou debater uma doença oncológica que apresenta uma elevada taxa de incidência, a qual o GECP (Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão) procura combater através da troca de experiências e da investigação que promove e desenvolve na área da oncologia pulmonar.

Sobre o Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP)

O Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP) surgiu em 2000 como resultado da necessidade de juntar esforços na promoção do conhecimento em Oncologia Pulmonar.

De uma forma interdisciplinar, reúne oncologistas, cirurgiões torácicos, radioterapeutas, pneumologistas, imagiologistas, patologistas e outros. Este grupo de estudos tem como objectivos: dinamizar o desenvolvimento de unidades de oncologia com interesse no cancro do pulmão; promover a ligação e a troca de opiniões entre as pessoas com interesse particular no cancro do pulmão; facilitar e incentivar a troca de experiências e fomentar a investigação em oncologia pulmonar, criando estruturas de apoio à investigação básica e à investigação clínica. Parte do trabalho dos profissionais que integra o GECP passa pela realização de ensaios clínicos multicentricos e multidisciplinares e pela promoção de reuniões bi-anuais de actualização em cancro do pulmão, procurando sempre aumentar a taxa de sobrevida dos doentes e contribuir para uma melhor ia da qualidade de vida.

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